Parecer CFM 1/2026: autonomia com responsabilidade na agenda médica
- Camila Zambroni

- há 2 dias
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O Parecer CFM nº 1/2026 traz uma mensagem clara para o dia a dia de clínicas e consultórios: o médico pode organizar sua agenda com horários específicos para pacientes particulares e para usuários de planos de saúde, desde que todos sejam tratados com respeito, transparência e dentro dos limites éticos da profissão.
Na prática, isso significa conciliar a realidade econômica do consultório com o compromisso de oferecer atendimento de qualidade a qualquer paciente, independentemente da forma de pagamento.
O que o parecer traz para a rotina do médico
O CFM reconhece que o médico, como profissional liberal, tem o direito de definir sua forma de trabalho, incluindo a distribuição de horários entre atendimentos particulares e por convênios. Assim, é possível reservar determinados dias, turnos ou horários para cada tipo de atendimento, inclusive diferenciando endereços e formatos (como consultas presenciais e por telemedicina), desde que isso esteja bem organizado e comunicado.
Ao mesmo tempo, o parecer lembra que o vínculo com planos de saúde é regido por contratos escritos, com regras claras sobre obrigações, limites de atendimento e remuneração. Já o atendimento particular segue outra lógica, mais direta entre médico e paciente, o que justifica tratamentos diferenciados de agenda – mas nunca de qualidade assistencial.
Transparência com o paciente
Um dos pontos centrais do parecer é a importância da clareza nas informações. O paciente precisa saber, de forma simples e acessível, quais horários são destinados a atendimentos por plano de saúde e quais fazem parte da agenda particular.
Se o beneficiário de um plano optar por ser atendido como particular, em busca de um horário mais rápido ou mais conveniente, essa escolha deve ser livre, consciente e previamente esclarecida, inclusive quanto ao pagamento integral da consulta.
Nesses casos, é recomendável registrar essa decisão por escrito, para demonstrar que não houve qualquer tipo de pressão ou indução. Esse cuidado protege o paciente, reforça a confiança na relação médico–paciente e reduz o risco de questionamentos futuros.
O que você deve se preocupar
Mesmo com maior flexibilidade na gestão de agendas, alguns limites permanecem inegociáveis. O CFM reafirma que não é permitido:
Transformar a medicina em atividade mercantil, pautada apenas por ganho financeiro.
Cobrar duas vezes pelo mesmo ato médico ou exigir valores “por fora” de forma não prevista em contrato.
Criar obstáculos artificiais para agendamento pelo plano, com o objetivo de forçar o paciente a migrar para a consulta particular.
Também não se admite qualquer diferenciação na qualidade técnica do atendimento em razão da forma de pagamento. A assistência deve ser igualmente cuidadosa, seja o paciente particular ou conveniado.
Por que o parecer é importante para clínicas e consultórios
Ao atualizar entendimentos e alinhar a interpretação dos Conselhos Regionais, o Parecer CFM nº 1/2026 dá mais segurança para que clínicas e consultórios organizem sua rotina com planejamento e previsibilidade. Ele também reforça a necessidade de rever contratos com operadoras, políticas de agendamento e documentos entregues aos pacientes, de modo a unir autonomia profissional, ética e segurança jurídica.
Mas atenção, o Parecer 01/2026 trata apenas das relações com operadoras de saúde, de forma que médicos vinculados a cooperativas devem observar o Estatuto Social ao qual está vinculado, e este muitas vezes impede esta restrição de agendas.
Com uma boa estrutura de governança – incluindo contratos bem redigidos, regras de agenda claras e documentação adequada de consentimento – o médico ganha tranquilidade para cuidar do que realmente importa: oferecer um atendimento técnico de excelência, com respeito à dignidade e à escolha de cada paciente.
Este texto possui caráter apenas informativo não representa qualquer orientação jurídica ou promessa de resultados



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